Foi no caminho para um dos lugares que mais me sinto eu, que me perdi. A diferença, é que desta vez, não me perdi, pela mesma razão que me perco sempre. Perdi-me na tristeza que é encontrar um dos meus lugares favoritos, com plástico e afins descartados como se nada fossem. Ver a quantidade de plástico deitado para chão, sem sequer um disfarce, é algo que me faz imensa comichão.
Vivemos tempos de pandemia, mas esquecem-se que existem problemas muito maiores que este. Que a partir de um certo momento iremos deixar de ter um controlo . Aliás já estamos descontrolados. Tendo em conta, a forma como remamos o barco, estamos a pagar para destruirmos o nosso planeta, afogando os oceanos em plástico e a auto asfixiar-nos.
Fazem-se vários protestos , chama-se a razão, faz-se publicidade, fala-se, a verdade é passada para o lado de cá em muitas formas e feitios. Acho que, de certa forma, tenta-se educar e re-educar. Porém a surdez parece ter-se desenvolvido na comunidade. Entristece-me que não olhem com olhos de ver, que tenham aquela atitude, de “tanto faz, ninguém liga a isso”, que deitem o lixo para o chão, não digo disfarçadamente deixar cair ou pousar no muro mais próximo. Digo deitar para o chão, sem dó, piedade ou qualquer tipo de peso na consciência.
A verdade para os inconscientes, é que o mundo está a mudar, o ambiente está cansado, mal amado. o mundo vai acabar por se afogar, e não é novidade nenhuma, que caso isso aconteça, nós também vamos pelos ares.
É de sublinhar que já esgotámos todos os recursos naturais para este ano e incomoda-me que toda a gente saiba onde é o lugar destes achados “preciosos” e que, simplesmente, os descartem sem pensarem nas consequências que isto tem para elas mesmas, para os outros que tanto dizem amar, para aqueles que habitam a terra e para o mundo.
Vivemos num mundo de pudores , onde ninguém se respeita, não existe o respeito pelo próximo , pelo meio em que vivemos, e muito menos o respeito pelo próprio ser. Sujam o chão que pisam. Qualquer dia estamos a mergulhar no meio do lixo dos inconscientes. Lá no fundo, será isso que vai acontecer. Cairemos no abismo e tudo porque a maioria não quis saber.
Não me venham, com a velha lábia, que são os jovens, aqui todos temos culpa no cartório. Não existe faixa etária, religião , cor de pele específica. Aqui todos são culpados.
Já várias foram as vezes que me questionei relativamente a este mal daqueles que dizem ser humanos . Talvez seja preciso, alterar o significado desta palavra, ou talvez, seja melhor esclarece-la .
Enfim...
Eu acredito que sendo nós o problema, também somos nós a solução . Assim é necessário começarmos a remar o barco com um pensamento mais ambientalista, com um coração mais preocupado, com uma atitude mais respeitadora.
Só para teres noção do cenário quase apocalipto, que vivemos, atualmente, existem cerca de 5,25 trilhões de fragmentos plásticos nos oceanos. São aproximadamente 690 mil vezes mais resíduos de plástico do que temos de população total no mundo - 7,6 bilhões de habitantes em 2017.
Como vês, é da nossa responsabilidade, começar a contribuir para a mudança deste cenário. é preciso. é necessário!
O facto de consumir-mos exuberantemente a utilização do plástico, estamos automaticamente a pagar para destruímos o ambiente e tudo o que lhe é derivado, isto inclui nós.
Embora possa parecer um desafio desmedido, há vários ações simples que nos levarão à mudança. Dá uma vista de olhos no instagram do thetrashtraveler ou no mindthetrash. Talvez, eles te esclareçam melhor à cerca deste assunto e te ajudem a tomar medidas/atitudes.
Apenas, quero dizer, que embora estas escolhas te parecem a uma primeira visão, pequenas e inconsequentes, digo-te que quando o povo se rege a uma atitude em conjunto, o impacto é quase automático e efetivo.
Portanto se puderes , faz a tua parte, respeita-te, respeita o colega do lado, encoraja quem for próximo, luta por aquilo em que crês. Luta pelo bem de quem quer bem, pelos oceanos, pelo planeta e por nós próprios. Porque vale tudo, quando a ideia é salvar o planeta.
Com amor, Inês





